O verão português é uma das estações mais bonitas — mas também uma das mais perigosas para os nossos animais. Temperaturas que ultrapassam frequentemente os 35 °C, asfalto a ferver, parasitas em força e atividades ao ar livre formam um conjunto de riscos que cabe aos tutores conhecer e prevenir.
Este guia reúne os cuidados essenciais para que o seu cão ou gato atravesse o verão com saúde, conforto e segurança.
Os riscos do calor para cães e gatos
Ao contrário dos humanos, os cães e os gatos não suam pela pele. Regulam a temperatura corporal essencialmente através da respiração ofegante (no caso do cão) e através das almofadinhas das patas. Isto significa que, em ambientes muito quentes, sobreaquecem com muita facilidade — e as consequências podem ser fatais em apenas alguns minutos.
Animais com maior risco
- Raças braquicefálicas (Bulldog, Carlino, Persa, Boxer).
- Animais séniores ou com doenças cardíacas/respiratórias.
- Animais com excesso de peso.
- Cachorros e gatinhos com menos de 6 meses.
Hidratação: a primeira regra do verão
A desidratação instala-se rapidamente. Água fresca, limpa e disponível 24 horas por dia é inegociável.
Dicas práticas
- Tenha múltiplos recipientes de água, sobretudo em casas grandes ou com vários animais.
- Acrescente cubos de gelo à água ou ofereça pequenos blocos como brincadeira refrescante.
- Em passeios, leve sempre uma garrafa e um bebedouro portátil.
- Para gatos, considere uma fonte de água — incentiva o consumo e previne problemas urinários.
Golpe de calor: reconhecer e agir
O golpe de calor (hipertermia) é uma das emergências veterinárias mais frequentes no verão. Saber identificá-lo pode salvar a vida do seu animal.
Sinais de alerta
- Respiração ofegante intensa e prolongada.
- Salivação excessiva e espessa.
- Gengivas vermelhas vivas ou, em casos graves, azuladas.
- Tremores, fraqueza, dificuldade em manter-se de pé.
- Vómitos, diarreia, eventualmente com sangue.
- Perda de consciência.
O que fazer
- Leve o animal imediatamente para um local fresco e à sombra.
- Molhe-o com água fresca (não gelada), sobretudo na barriga, axilas e patas.
- Ofereça pequenos goles de água — nunca force.
- Dirija-se ao veterinário com a máxima urgência, mesmo que pareça melhor. Os danos internos podem manifestar-se horas depois.
Nunca aplique água gelada ou cubos de gelo diretamente: provoca vasoconstrição e agrava o problema.
Passeios: quando e como
As horas certas
Em Portugal, durante os meses de julho e agosto, evite passear entre as 11h e as 19h. As temperaturas máximas e a radiação ultravioleta atingem valores perigosos.
Os melhores horários são:
- Antes das 9h da manhã.
- Depois das 20h, quando o asfalto já arrefeceu.
O teste do asfalto
Coloque a palma da mão no chão durante 7 segundos. Se não conseguir aguentar o calor, o seu cão também não conseguirá. As queimaduras nas almofadinhas são frequentes — e dolorosíssimas.
Outros cuidados nos passeios
- Faça pausas frequentes à sombra.
- Leve sempre água.
- Evite areia da praia ao meio-dia.
- Em cães de pelo claro ou pele rosada (sobretudo no focinho e nas orelhas), aplique protetor solar específico para animais.
O perigo dos carros estacionados
Esta merece destaque próprio: nunca, em circunstância alguma, deixe o seu animal dentro de um carro estacionado, nem por “cinco minutos”, nem com as janelas entreabertas.
A temperatura interior pode atingir os 50 °C em menos de 15 minutos, mesmo à sombra. É uma das principais causas de morte por golpe de calor em Portugal e, recorde-se, constitui crime de maus-tratos previsto na lei portuguesa.
Parasitas: a estação alta
O verão é o pico de atividade de pulgas, carraças e flebótomos (mosquitos transmissores da leishmaniose, doença grave e endémica em Portugal).
Recomendações
- Mantenha o plano de desparasitação externa rigorosamente em dia.
- Considere a vacina da leishmaniose após avaliação veterinária.
- Inspecione o pelo do animal após cada passeio, sobretudo no campo ou junto a rios.
- Evite passeios ao anoitecer, hora de maior atividade dos flebótomos.
Cuidados na praia e na piscina
- Nem todos os cães sabem nadar — supervisione sempre.
- A água salgada e o cloro irritam a pele e os olhos. Dê um banho de água doce após cada mergulho.
- A ingestão de água do mar provoca vómitos e desidratação grave.
- Areia quente queima as patas e pode causar gastrite por ingestão.
Em casa: criar um ambiente fresco
- Mantenha persianas fechadas nas horas de maior calor.
- Disponibilize tapetes refrescantes ou superfícies de pedra/azulejo.
- Em apartamentos sem ar condicionado, use uma ventoinha com uma garrafa de água congelada à frente.
- Para gatos, garanta acesso a zonas elevadas e arejadas.
Conclusão
Com alguns cuidados simples, mas consistentes, o verão pode ser uma estação tão feliz para o seu animal como é para si. O segredo está em antecipar os riscos e em manter sempre a vigilância.
No Consultório Veterinário de Gaia, a nossa equipa está preparada para responder a qualquer emergência de verão, do golpe de calor à desidratação. Se o seu animal apresenta sintomas de calor excessivo, ou se quer um plano de prevenção personalizado, contacte-nos já pelo WhatsApp, estamos aqui para cuidar de quem mais ama.

